O Hino de um Estado de Graça


Seria o projeto de decreto legislativo sobre a mudança do Hino do Estado de Santa Catarina  uma daquelas iniciativas parlamentares que visam, primeiramente, ao acesso midiático e não ao interesse público? Uma celeuma como esta pode render bem mais que muito assunto árido e urgente, suplicado por uma população carecente do atendimento aos seus interesses, fundamentalmente, públicos.

Alegam os críticos vogais que nosso hino não reflete a "alma catarinense", que é de difícil assimilação, e sua temática, com viés republicano, limita-se à abolição da escravatura. Não conseguem, sequer, perceber o signficado de suas linhas e entrelinhas, depois de formada sua opinião contrária à exaltação contida no poema de Horácio Nunes Pires em favor dos, sempre, tiranizados - sejam os negros de outrora, sejam, também, as demais minorias massacradas neste instante.

Aqueles que defendem o hino cívico catarinense têm-lhe apreço, sobretudo, porque foram marcardos por audições que celebravam o amor ao Estado onde cresceram e construíram suas vidas. Amor que fortificou a crença na realização de seus sonhos, alguns, inclusive, decantados de forma tão poética nas quatro estrofes do hino que converte todos os habitantes desse estado ideal em cidadãos.

O projeto de alteração do hino me faz pensar que cada catarinense o percebe segundo suas vivências e expectativas. Aquele que vive a plenitude de suas necessidades atendidas terá mais dificuldade em sentir-se tocado pela mensagem explícita - quiçá seja preciso um exercício profundo de empatia para com aqueles que sofrem, caladamente, as ausências do Estado...

E os críticos querem uma letra que exalte as belezas naturais do Estado: um hino turístico, talvez. Esquecem-se de que não há méritos em herdar essa riqueza - méritos há em sua preservação.

Por que não nos voltarmos para as possibilidades que o hino oferece sem custos, de graça? Há uma riqueza a ser explorada e que não causa esgotamento nenhum de recursos. Muito pelo contrário. Imagine que semeadura a disseção de seu texto poderia fomentar nas mentes férteis de nossos estudantes - em especial da rede pública de ensino -, sempre ávidos por novas e fantásticas experiências que não a simples repetição sem reflexão. Imagine...

Particularmente, ao extrapolar o contexto histórico das palavras cantadas, prefiro me ater à mensagem perene de liberdade, igualdade, justiça e fraternidade que o nosso hino cidadão encerra.

A segunda estrofe, quase nunca cantada, prescreve dois caminhos para exterminar o preconceito: "pela força do direito e pela força da razão" (o poeta, em 1892, já dominava a fórmula!). A terceira estrofe, também frequentemente omitida, canta o fim das regalias, das diferenças, e enaltece a ousadia do povo catarinense (acredito que Deus abra um sorriso divino quando seus filhos conseguem ousar diante dos desafios cotidianos que lhes apresenta).

A letra do Hino do Estado de Santa Catarina nos obriga a ir além do óbvio, do geralmente aceito, das impossibilidades impostas. Ir além das palavras e buscar, sempre, o essencial. Não é à toa que temos este hino. Ele ainda grita que há algo a ser feito, a ser seguido. Quem tem ouvidos que ouça: "IRMÃOS SOMOS TODOS E TODOS IGUAIS!"

Poesia Inacabada


De repente, a saudade lateja
E a lágrima, oculta por fugaz distração,
É compelida a extinguir um frágil sorriso.
Entrecortes de um tempo que,
Inadvertidamente,
Já não tem o mesmo pulsar.

Dor insana

A noite e o dia são apenas solidão.
Soluços, choros e lamentos.
E a alma, dilacerada nas sombras, vaga ao vento.

Os gritos sufocados e contorcidos
Rasgam um coração perdido.
Insana, dor insana.
Lembrança crua
Que não se conforma
E que não tem alívio.

Vida muda... vaga.
Destino indigesto,
Sem máscaras, sem gestos.
Insana, dor insana
E solta no ar.

O desafio de servir à sociedade


A vocação para o ofício do serviço público consiste na propensão para desempenhar funções em favor da promoção do bem estar social.

Essa inclinação, esse chamado interior que envolve satisfação pessoal, nem sempre é ponderado quando da decisão de ingressar em uma carreira pública, tampouco o interessado costuma avaliar se tem talento para fazer parte dos quadros do serviço público - qualidade reconhecidamente almejada em diversas áreas profissionais.

É certo que toda instituição pública conta com inúmeros talentos entre seus servidores e outros tantos com vocação para servir. Entretanto, cabe ao agente público desenvolver as aptidões requeridas para desempenho das atribuições do cargo e à administração adequar todo o conjunto de seus recursos humanos para a realização dos propósitos institucionais.

Um ponto essencial a ponderar para a experiência de servir com excelência é o autoconhecimento: faz-se necessário que cada servidor identifique seus pontos fortes e aqueles que precisam ser fortalecidos. A instituição beneficia-se desse conhecimento, ao mesmo tempo em que promove possibilidades de aprimoramento integral por meio de seus programas anuais de educação corporativa.

Aliar aos anseios da população a satisfação pessoal no exercício de suas funções e o comprometimento com os preceitos éticos e legais, enquanto executa com eficiência suas atribuições, pode constituir-se na maior conquista de um servidor público.

Amadorismo na Administração Pública



A Constituição Estadual prevê em seu Artigo 21, inciso IV, que os cargos em comissão públicos devem ser "preenchidos por servidores de carreira, nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei". A sociedade tem de cobrar uma regulamentação imediata desse dispositivo com um percentual (elevado) que garanta competência técnica no exercício das funções, inibindo o troca-troca indecente pós-eleições. Certas figuras que aparecem para comandar servidores de carreira chegam a causar vergonha àqueles aprovados em concurso público idôneo, além dos desastres administrativos, notórios ou não, que promovem durante seu exercício. Quem não tem competência que não seja nomeado. Para o bem de todos!


Planejamento Urbano

Resenha sobre o programa Urban View que entrevistou o Arquiteto Urbanista Kazuo Nakano*

(Clique na imagem e comece a assistir a entrevista)

A sociedade civil precisa tomar consciência da importância de sua participação no destino das cidades. Os avanços da legislação que promoveram uma melhoria das condições urbanísticas nasceram da mobilização dos setores mais conscientes, através da discussão dos problemas e elaboração das propostas de soluções.

Temos que fortalecer a cultura de planejamento da gestão governamental. Muitos projetos são atropelados pelo ritmo de crescimento das cidades. A descontinuidade das ações governamentais na ocupação dos espaços das cidades, muito em função da alternância dos partidos na gestão executiva tem impactos fortes e negativos.

Não são raras as omissões governamentais diante de forças econômicas que vislumbram oportunidades de expansão com o crescimento da população e com a ocupação desordenada de locais inapropriados.

As microrregiões precisam estar articuladas para a busca de soluções dos problemas que extrapolam os limites municipais. Os governos estadual e federal deveriam planejar e coordenar os investimentos em função desses conglomerados de municípios.

A revitalização de espaços urbanos no Brasil é uma forma de aumentar o valor econômico de um espaço e excluir as parcelas da população menos favorecidas, ou seja, intervenções excludentes em favor de negócios imobiliários, que configuram um processo de segregação sócio-espacial: os pobres vão morar cada vez mais longe das áreas de oportunidades de emprego, das melhores ofertas de saúde e educação e das áreas de consumo das cidades.

No Brasil não temos tradição, estratégias, tampouco políticas públicas para produção de terras urbanizadas, com toda a infraestrutura, em local adequado e integrado às cidades, para que as pessoas de baixa renda, então, se estabeleçam. O que ocorre é exatamente o contrário: primeiro, surgem as precárias ocupações e favelas, para depois chegar o poder público e a sua urbanização.

Seguimos na contramão do conceito de metrópole, que se constitui de uma rede de centralidades conectadas, onde estão disseminadas as oportunidades de empregos e todo o aparato relativo às atividades urbanas, aproveitando os mesmos espaços onde os cidadãos moram – medidas que, por exemplo, desafogariam o trânsito. Esse conceito e as diretrizes implicadas devem ser perseguidos pelos planos diretores das cidades.

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*Kazuo Nakano é arquiteto urbanista, graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), pós-graduação em gestão urbana e ambiental pelo Institute for Housing and Urban Development - IHS de Rotterdam, Holanda, e mestre em Estruturas Ambientais e Urbanas pela FAU/USP. Trabalhou no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e foi gerente de projeto da Secretaria Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades. No Pólis, desenvolve pesquisas urbanas e coordena assessorias técnicas em diversas cidades brasileiras na elaboração de planos diretores participativos como, por exemplo, São Paulo (SP), Vitória (ES), Fortaleza (CE), Piracicaba (SP), São Gabriel da Cachoeira (AM). Tem artigos sobre esse assunto publicados em livros e periódicos especializados.


Previsão do Tempo





A previsão do tempo continua péssima. A corrupção vai continuar matando por deslizamentos de dinheiros que não sobem aos morros. Pena tanta lama não levar consigo essa praga das nossas vidas.

Tenho a impressão que é mais fácil desviar dinheiros públicos em situações de emergência que em medidas preventivas. Será?